terça-feira, 13 de agosto de 2013

Um Novo Mundo


Já passaram das 20h George! Onde ela está? – A mãe de Clara disse exaltada e apavorada para o marido.

- Eu não sei Clarissa. Essa menina vai pagar pelo sofrimento que nos causa! Ah, quando ela chegar... – George falou furioso para a esposa. – Já perguntei aos vizinhos se a viram, mas nada! Nem sinal dessa criança.

- É a nossa criança, nossa filha! Nossa única filha, George. Precisamos procurá-la. Precisamos fazer o possível para encontrá-la. – Aos prantos, Clarissa sentou-se na cadeira encostada na mesa da cozinha e começou a soluçar devagar, com as mãos cobrindo o rosto amargurado. George aproximou-se dela e ajoelhou-se ao seu lado.

- Eu prometo que farei o possível, querida. Farei o que estiver ao meu alcance, não se preocupe! – George falou, tentando confortar a esposa.

          

                               ***

Enquanto no vilarejo tranquilo, as coisas estavam tensas e preocupadas por seu sumiço, Clara acordava, com a cabeça latejando freneticamente.

O lugar onde se encontrava era úmido, escuro e com cheiro de brisa da água. Ela imaginou estar em uma espécie de caverna subterrânea, e que havia água por trás daquelas paredes rochosas. Algumas gotas pendiam das elevações das rochas. “Tem muita água atrás dessas paredes”, pensou quando estava se levantando. Com dores em todo o corpo, Clara gemeu, mas fez um esforço para erguer-se e ficar de pé.

Quando conseguiu ficar totalmente ereta, espreguiçou-se, e percebeu que sua pele estava escurecida e os cabelos desgrenhados. “Que lugar é esse?” Estremecendo pelo frio, Clara começou a se perguntar como aquilo tinha acontecido. Como se saía daquele lugar, como voltava para casa e como fazia para esquecer aquela cabana na qual tinha estado momentos ou horas atrás. Respirando fundo e devagar, contendo-se para manter a calma e não se desesperar. Delirar naquele momento não era o mais recomendado.

Sem perceber, Clara notou que lágrimas corriam por seu rosto. A menina não notara que a angústia se manifestara, que a dor e o medo permaneciam nela. Enxugando as lágrimas com as costas da mão, ela dirigiu-se para a frente, onde andando mais além, observou uma placa:
 
 

 
Clara pensou que não estava em uma estrada, mas sim em um campo arenoso e feito de rochas e pedras. De certa forma, estava certa. O caminho em que se encontrava era amplo, mas não era um campo, e sim uma estrada íngreme. Clara não tinha percebido, mas as rochas que tinha visto, as paredes na qual tinha deduzido serem de uma caverna, eram nada mais, nada menos que paredes feitas de espelho que refletiam as rochas do lado direito e faziam com que a estrada parecesse maior! Ao reparar nisso, ela emitiu um grito abafado, mas se conteve ao pensar na sorte que teve em não se chocar naquela parede espelhada.
Voltando olhar para a placa, Clara viu que duas ruas mais íngremes do que a que estava, se encontravam. A placa não dava informações sobre elas, mas uma ficava na sua direita e a outra na esquerda. Olhando ao fundo das duas passagens, só conseguia se ver a linha reta e estreita que desaparecida no fundo.
Ela se perguntou qual das duas deveria seguir, mas hesitou ao decidir entrar na da direita. Recuando passo por passo, Clara se virou e pensou “Não seja tola, entrar numa rua desconhecida e estranha não vai te tirar daqui”, disse a si mesma, “Vou ficar aqui e esperar mais um pouco”. Decidindo isso, Clara sentou-se no chão de terra coberto por pedregulhos e encostou-se na placa suja. “Alguém vai aparecer, alguém vai me...”, mas quando ia terminar de concluir sua frase, ela ouviu uma risada estridente, que soava como terror em seus ouvidos.
 

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