sábado, 10 de agosto de 2013

A Repreensão

Muito escura e com sobras deslizantes nas paredes, Clara se assustou no começo, mas logo se recuperou e se animou com sua coragem ao entrar em um lugar tão esquisito. Ela ouve sons sussurrantes vindos de baixo do chão da casa, como se houvesse um tipo de cômodo embaixo do assoalho, uma espécie de porão. Aturdida, ela entra e vê com mais clareza ao andar mais alguns metros e ficar no centro da casa, com a ajuda das três janelas de cor marrom que estavam descascadas pelo tempo. A cabana era composta por um tapete azul escuro desbotado que cobria todo o centro e tinha um aspecto asqueroso, de muito usado e sem ser lavado por muito tempo.
A casa era escura, mas suas paredes pareciam ser de um amarelo sujo. Clara sentiu-se enojada pela aparência da casa, mas sua sensação de náusea passou assim que ela ouviu um sussurro que dizia “PARE”. Ofegante e com o coração acelerado, ela olhou com os olhos arregalados para todos os cantos, de cima a baixo da sala. Nervosa e cansada pelo mal estar que sentia, Clara deu um leve suspiro e se voltou correndo para a porta da casa. Olhou mais uma vez para o fundo sombreado da sala a tempo de ver a silhueta de uma espécie de pessoa coberta por uma longa capaz. Aterrorizada olhou rapidamente para a frente, mas só viu a noite fria caindo com brilhantes estrelas no céu.
                                               
                                                  ***
Ao voltar para casa, ainda com as lembranças da assustadora cabana, Clara respirou fundo assim que abriu a porta de sua casa. Sua mãe com aspecto preocupado e irritado voltou-se para ela e abriu a boca para repreende-la.
- Clara onde você estava menina? Ficou louca, como some assim, sem avisar, nesse frio e nessa hora da noite? Sorte a sua que seu pai ainda não chegou! – Olhando-a bem com a luz do teto da cozinha que a deixava exposta, Clara percebeu o quão bonita sua mãe era, com olhos negros e cabelos cor de cobre compridos, e seu rosto assustado pela preocupação exibia uma certa ruborização.
- Mãe, eu estava na escola, fazendo trabalhos, por isso demorei. Acabei não indo à casa da tia Laura. Desculpa. – Clara já mais calma começou a subir os degraus para seu quarto. – Vou dormir, boa noite.
Sua mãe, acompanhando-a com os olhos disse – Não irá comer nada? Fiz panquecas.
- Não mãe, estou sem fome, boa noite. – E assim subiu correndo para seu quarto, abriu a porta, trocou sua roupa, jogou-se na cama e adormeceu.
                                            
                                              ***

- Não adianta falar com você seu imprestável. Quem mandou você aparecer na hora exata em que a garota estava saindo da casa? Se ela tivesse te visto... – Exclamou Scantam, tremeluzindo pelas poucas luzes que haviam no aposento escuro e assombrado.
- Meu senhor, o que fiz foi para aprimorar minha tarefa, a menina ficou mais assustada vendo minha sombra do que esperávamos. De qualquer forma não aconteceu nada de ruim. – O homem moreno com uma estranha cicatriz no braço esquerdo, e com olhos verdes temerosos disse, defendendo-se. – Ao contrário, a garota ficou apavorada e quase começou a chorar, de tão assustada.
- Quanto a isso você tem razão, nosso primeiro objetivo foi concluído com êxito. – Disse a estranha criatura com forma de homem, esfregando as mãos, mais calmo. – Bom, cansei de conversar, vá desenvolver nossa nova meta, estou esperando resultados! E lembre-se, não traumatize a menina, precisamos dela lúcida e consciente.

- Pode deixar senhor, farei tudo conforme suas ordens. – O homem disse, virou-se e saiu do aposento, encostando a porta.

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