domingo, 11 de agosto de 2013

Silêncio

“Nossa, que dor de cabeça”, pensou Clara acordando. O dia estava amanhecendo, enevoado e com muitas nuvens no céu, e o Sol escondido entre elas. Lembrando-se dos últimos acontecimentos, ela levantou-se da cama com a cabeça latejando. Arrumou-se e desceu.
- Bom dia mãe. – Ela disse ainda esfregando os olhos.
- Bom dia Clara, dormiu bem? – Sua mãe já arrumada colocava o café na xícara de, servindo ovos com torradas ao mesmo tempo.
A vida das duas sempre foi muito boa, com grandes gastos e mordomia, levavam uma vida agradável e de certa forma, luxuosa. Sempre tinham tudo o que queriam, e em troca eram bondosas e amáveis com o marido e pai.

Na época não haviam lugares ou coisas muito caras e luxuosas. Ter boa comida e adereços indispensáveis como roupas de bom tecido, jóias medianas e outros, era o suficiente para ser considerada uma família com boas condições financeiras.
Clara tinhas grandes olhos castanhos, cabelos pretos lisos e um sorriso de menina levada. Sempre muito educada e inteligente, ela gostava de ir a pé para a escola. Gostava do ar limpo e refrescante que a cidade tinha.
A caminho da escola, Clara resolve passar na frente da rua na qual tinha entrado no dia anterior. Mudando sua rota, ela vai ao encontro da rua assustadora em que estivera. A cada passo que dava, se sentia mais pesada, como se o ar em sua volta, que antes parecia leve, agora parecia longo, sufocante. Sentiu um desagradável odor à sua volta, algo como frutas em decomposição. Nauseada, ela prende a respiração, mas continua sua caminhada a passos seguros e constantes.
A quase uma quadra da rua, ela para e olha ao redor como se tivesse escutado passos e um grito de uma voz aguda e áspera. Aterrorizada pelo que ouvira, Clara cerra os punhos e aperta os lábios numa determinação corajosa. Mais devagar a cada momento, ela finalmente chega e se vê parada na frente da rua misteriosa.
Fechando os olhos firmemente, como para se acalmar, ela pensa “Será que devo? O que essa cabana esconde? Vamos lá Clara, você consegue”, diz a si mesma. Então, ela se decide ir novamente à casa dos horrores.
                                     
                                    ***

A passos lentos e pesados, Clara sente uma pontada de dor no peito, como se fosse um sinal para ela não ir adiante. Ignorando a dor repentina, ela prosseguiu mais rapidamente até chegar na porta da cabana.
Muito curiosa, abre a porta e se depara com a mesma escuridão, porém mais intensa que da última vez. Com um arrepio na nuca e sentindo-se  quente, como se uma onde de calor estivesse a penetrando, ela hesita ao dar o próximo passo para entrar na sala.
                                        
                                   ***

As mesmas sombras assustadoras e deslizantes do dia anterior continuavam à espreita, como se algo fosse atacar a qualquer momento.
Clara muito ofegante e com suor escorrendo por sua testa, por causa do calor abafado que consistia no aposento, andou mais um pouco até ficar no centro do cômodo. As paredes cinza da sala pareciam tensas e exibiam um leve brilho em sua superfície. A menina que antes tinha uma vida comum, agora se reparava em uma situação perversa. Não sabendo o porquê, Clara ficou esperando algo acontecer, mas nada além do vento constante se movia. Paralisada pelo medo, ela sentiu sua boca seca e não conseguia proferir uma única palavra. Molhando os lábios com a língua, ela conseguiu dizer:
- Olá! – A voz ecoou pela casa que parecia mais extensa do que realmente era. Sem respostas, Clara deu um longo suspiro de alívio. “É só a minha imaginação”, ela pensou, “não há nada aqui”.
Mas quando ela se virou para ir em direção à porta e sair da casa, ouviu-se um grito. O grito da própria Clara, que desabou em um buraco negro e desesperador.



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