A Menina Desaparecida - 7
Tudo estava pronto para a fuga. Benet tinha ido em silêncio
para sua casa pegar alguns utensílios necessários para a viagem. Dois pães,
dois cantis abastecidos com água e um papel dobrado que Clara não tinha como
ver o que estava escrito.
Quando Benet retornou ansioso para a cabana, soltou as coisas
na cama e disse:
- Foi o que consegui arranjar, em tão pouco tempo, espero que
sirva.
- Está ótimo! Mas não pensamos em uma coisa: como chegamos até
o mundo exterior? – Clara perguntou lembrando-se do principal detalhe.
- Aqui. – Benet mostrou o papel dobrado que trazia consigo. –
Meu pai tem vários desses. Ele é coordenador geral da tribo e por isso tem
várias cópias desse mapa. Acredito que seja o caminho para o seu mundo. – O
menino falou confiante.
O papel era amarelado como o bilhete que tinha recebido. O
mapa nele desenhado parecia simples, mas um sentimento intenso a invadiu quando
o viu.
- Bom, espero que esse seja o mapa certo. Vamos Benet, daqui a
pouco acordarão e não podemos ser vistos. – E com um leve clique na porta da
casa, Clara e Benet ficaram expostos à escuridão.
***
A passos silenciosos e rápidos, os dois caminharam para a
saída da pequena cidade. Benet os conduzia, e logo conseguiram chegar ao seu
primeiro objetivo, sair do vilarejo.
Quando estavam a mais ou menos duas quadras da saída,
conseguiram ver luzes acenderem. Perceberam que o povo estava acordando. Sem
hesitar Clara disse que deveriam aumentar a velocidade dos passos para chegarem
a um local seguro. Concordando com um gesto, Benet a seguiu.
Logo se viram bem distantes da cidade e puseram-se a
descansar.
- Estou cansado e com fome. – Benet disse de cabeça baixa. –
Vamos comer?
- Concordo com você. Vamos parar aqui, comer alguma coisa e
descansar um pouco. – Clara disse parando e sentando-se.
Benet tirou os dois pães do saco de dentro da mochila que
trazia, e entregou um à Clara. A menina pegou-o, mas decidiu quebrá-lo em
quatro partes.
- Não sabemos quanto tempo essa viagem irá durar, então é
melhor economizarmos. – Benet que tinha começado a comer o pão inteiro já,
parou imediatamente quando pensou que Clara estava mais do que certa. Como já
tinha comido ¼ do pão, cortou-o em três
partes e os guardou de volta no saco.
Enquanto Clara comia sua parte, ficou pensando e como as
coisas em casa estavam. Imaginou seus pais chorando, preocupados, esperando ela
voltar... Sentiu uma lágrima quente escorrendo por seu rosto e abaixou a
cabeça.
***
Dois dias desde o desaparecimento de Clara tinham se passado.
Ao contrário do que ela pensava, seus pais estavam a procurando freneticamente.
E seu pai, que antes estivera irritado, agora deixava a preocupação o abranger.
A mãe continuava aos prantos, contendo-se para não sair correndo atrás da
filha.
Os dois, agora com aparência cansada, pareciam, se é que não
ficavam, dias sem dormir. As olheiras nos olhos, a face enrugada pela tristeza.
George e Clarissa só queriam a sua pequena de volta, e deixar as coisas nas
mãos da polícia da cidade estava deixando-os nervosos e enraivecidos.
Infelizmente, eles não podiam fazer nada além de esperar. A
saída de qualquer cidadão do vilarejo era proibida. Apenas as autoridades
máximas podiam transitar livremente pelos arredores da cidade.
Eles queriam dizer à Clara o quanto a amavam agora. Mas não
podiam fazer nada além de esperar e rezar por sua filha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário