terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Fuga

                                         A Menina Desaparecida  - 7

 
Tudo estava pronto para a fuga. Benet tinha ido em silêncio para sua casa pegar alguns utensílios necessários para a viagem. Dois pães, dois cantis abastecidos com água e um papel dobrado que Clara não tinha como ver o que estava escrito.

Quando Benet retornou ansioso para a cabana, soltou as coisas na cama e disse:

- Foi o que consegui arranjar, em tão pouco tempo, espero que sirva.

- Está ótimo! Mas não pensamos em uma coisa: como chegamos até o mundo exterior? – Clara perguntou lembrando-se do principal detalhe.

- Aqui. – Benet mostrou o papel dobrado que trazia consigo. – Meu pai tem vários desses. Ele é coordenador geral da tribo e por isso tem várias cópias desse mapa. Acredito que seja o caminho para o seu mundo. – O menino falou confiante.

O papel era amarelado como o bilhete que tinha recebido. O mapa nele desenhado parecia simples, mas um sentimento intenso a invadiu quando o viu.


 Os lugares pareciam comuns, apesar de parecer que seria uma longa viagem. Ao que constatava, teriam de passar pela Superfície Escura, atravessar a Fronteira Cristal e ir para o “MS”, que ao que indicava seria “Mundo Superior”. Alguns símbolos estavam inseridos, mas nem Clara nem Benet sabiam o que significavam.

- Bom, espero que esse seja o mapa certo. Vamos Benet, daqui a pouco acordarão e não podemos ser vistos. – E com um leve clique na porta da casa, Clara e Benet ficaram expostos à escuridão.

 

                                         ***

A passos silenciosos e rápidos, os dois caminharam para a saída da pequena cidade. Benet os conduzia, e logo conseguiram chegar ao seu primeiro objetivo, sair do vilarejo.

Quando estavam a mais ou menos duas quadras da saída, conseguiram ver luzes acenderem. Perceberam que o povo estava acordando. Sem hesitar Clara disse que deveriam aumentar a velocidade dos passos para chegarem a um local seguro. Concordando com um gesto, Benet a seguiu.

Logo se viram bem distantes da cidade e puseram-se a descansar.

- Estou cansado e com fome. – Benet disse de cabeça baixa. – Vamos comer?

- Concordo com você. Vamos parar aqui, comer alguma coisa e descansar um pouco. – Clara disse parando e sentando-se.

Benet tirou os dois pães do saco de dentro da mochila que trazia, e entregou um à Clara. A menina pegou-o, mas decidiu quebrá-lo em quatro partes.

- Não sabemos quanto tempo essa viagem irá durar, então é melhor economizarmos. – Benet que tinha começado a comer o pão inteiro já, parou imediatamente quando pensou que Clara estava mais do que certa. Como já tinha comido ¼ do pão,  cortou-o em três partes e os guardou de volta no saco.

Enquanto Clara comia sua parte, ficou pensando e como as coisas em casa estavam. Imaginou seus pais chorando, preocupados, esperando ela voltar... Sentiu uma lágrima quente escorrendo por seu rosto e abaixou a cabeça.

                                        ***

Dois dias desde o desaparecimento de Clara tinham se passado. Ao contrário do que ela pensava, seus pais estavam a procurando freneticamente. E seu pai, que antes estivera irritado, agora deixava a preocupação o abranger. A mãe continuava aos prantos, contendo-se para não sair correndo atrás da filha.

Os dois, agora com aparência cansada, pareciam, se é que não ficavam, dias sem dormir. As olheiras nos olhos, a face enrugada pela tristeza. George e Clarissa só queriam a sua pequena de volta, e deixar as coisas nas mãos da polícia da cidade estava deixando-os nervosos e enraivecidos.

Infelizmente, eles não podiam fazer nada além de esperar. A saída de qualquer cidadão do vilarejo era proibida. Apenas as autoridades máximas podiam transitar livremente pelos arredores da cidade.

Eles queriam dizer à Clara o quanto a amavam agora. Mas não podiam fazer nada além de esperar e rezar por sua filha.

 

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